sexta-feira, 10 de abril de 2009

Novas Aprendizagens, novos conhecimentos


A influência mais duradoura sobre a história recente da educação tem sido exercida pelo psicólogo americano E. Thorndike, com a sua “teoria associacionista”, que dominou toda a organização pedagógica do século XX. De acordo com a mesma, o conhecimento consiste numa sucessão de ligações entre pares de entidades mentais ou entre estímulo “externo” e resposta mental “interna”. A actividade formativa teria por objecto científico actuar sobre a força dessas ligações, fortalecendo as “correctas” e enfraquecendo as “incorrectas”. Aqui, a aprendizagem só poderia ser eficazmente realizada pela prática “reiterada e repetitiva” de operações, acompanhada de prémios para estimular as boas ligações e de sanções para contrariar as más práticas/ligações. A teoria é separável, e precede, a prática, onde os professores são os verdadeiros sujeitos do processo ensino-aprendizagem, cabendo ao aluno estudar por repetição e exercício.

Em linhas opostas foram surgindo as pedagogias “activas” – por contraposição ao carácter “passivo” e “mecanicista” prevalecente na óptica de Thorndike, estimulando assim as teorias centradas no aluno e as “pedagogias de descoberta” em que ao formando compete toda a iniciativa e o esforço para a consecução da aprendizagem. Neste caso, ao professor-tutor competiria fornecer os estímulos e os materiais apropriados a que o aluno organizasse, independentemente, a sua própria descoberta dos saberes. São as chamadas teses construtivistas de aprendizagem (Vygostsky, Piaget, Newell & Simon, Bruner) que partem, assim, do pressuposto de que o conhecimento é construído por cada pessoa. O acto de aprender é sempre interpretativo e inferencial, envolvendo processos activos de raciocínio e de “conversação” com o mundo dos objectos. O positivismo pedagógico, erroneamente deduzido a partir das teses construtivistas radicais, levou a uma acentuação da importância dos conteúdos e dos materiais pedagógicos, em detrimento do investimento na formação dos professores e dos formadores.

O construtivismo cognitivo, que toma o conhecimento como alavanca central da nova formação e da nova aprendizagem, surge como o ponto de equilíbrio entre a polaridade extrema e irredutível que opôs, durante um século, os defensores de pedagogias passivas e os advogados de pedagogias activas “centradas no aprendente”. Assim, a aprendizagem passa pela autogestão de conhecimentos e de processos cognitivos, ou seja, nas aptidões ditas metacognitivas de auto regulação do esforço de aprendizagem, e de gestão das relações interpessoais. Desta forma, as competências metacognitivas são o factor determinante na propulsão das capacidades de aprender autónomo, de aprender assistido e de aprender em comunidade (aprendizagem social), sendo que todas e cada uma dessas formas de aprendizagem convergem na correcta gestão de conhecimento, velho e novo.

As novas tecnologias são, seguramente, ferramentas de cariz “informacional”, na medida em que geraram suportes extraordinariamente potentes de tratamento, processamento e transmissão de dados. Diferentemente, se e quando aproveitadas numa perspectiva eminentemente comunitária e relacional, as novas TICs ultrapassam largamente a relação clássica dos media tradicionais, para potenciar um paradigma formativo em que a aprendizagem se sustenta num meta conhecimento dinâmico exercido sobre saberes passados, actuais e futuros. As pessoas aprendentes passam a integrar comunidades de sujeitos (da aprendizagem), a gestão do conhecimento emerge da participação (na sua construção e no mundo envolvente) e a aventura da aprendizagem é indissociável da densidade em capital social e cultural do meio onde ela se opera.

A este salto de qualidade para a intervenção humana na gestão, corresponde um nível idêntico de exigência quanto ao comportamento das organizações. A moderna gestão estratégica acompanha atentamente os ciclos de vida das organizações. Às organizações pede-se, cada vez mais, que se comportem como organizações biológicas ao invés de entidades simplesmente físicas ou mecanicistas. A qualidade das empresas e demais organizações medir-se-á pela inteligência organizacional que forem capazes de convocar no confronto com a mudança e com os imperativos estratégicos de inovação que lhes facultará a diferenciação competitiva. Elas distinguir-se-ão pela geração constante de ambientes favoráveis à produção e disseminação de novo conhecimento.

O Conselho Europeu de Lisboa, realizado em Março de 2000, elegeu a economia do conhecimento e a aprendizagem permanente como pilares de uma Europa que se deve afirmar como o continente mais próspero em 2010. A concretização desta ambição partilhada pelas lideranças europeias, assentará em pessoas, empresas, governos, escolas e universidades, permanentemente capazes de melhorar desempenhos e de solucionar problemas, com base numa acrescida inteligência partilhada.